Jesus Cristo, ontem, hoje e por toda a eternidade.

domingo, 6 de março de 2011

Missa com crianças

Sim ou não? De que modo? 

Muitas comunidade cristãs celebram Missa com crianças. Umas fazem-no no contexto da Missa Paroquial; outras fazem-no só e especificamente no âmbito da Catequese, para as crianças, catequistas e seus familiares. Qual a melhor solução? Terá sentido celebrar só com crianças? Num caso e/ou noutro, quais são os critérios a ter em conta para este tipo de celebrações?
A partir da leitura atenta do Directório para a Missa com Crianças deixamos aqui algumas reflexões que nos podem ajudar a definir ou clarificar alguns critérios para estas celebrações. 

O DIRECTÓRIO PARA A MISSA COM CRIANÇAS 

Com quase trinta anos, o Directório para a Missa com crianças, continua a ser desconhecido e sobretudo não suficientemente valorizado. Os seus princípios e perspectivas continuam válidos e actuais.
As grandes novidades do Directório são: o apresentar de novas e específicas Orações Eucarísticas com uma linguagem mais adequada às crianças; a possibilidade de que a homilia seja feita por um leigo (DMC 24), a possibilidade de introdução de música gravada (DMC 32); o convite a uma expressão (mais) corporal e visual (DMC 35-36); a possibilidade concedida às Conferencias Episcopais de elaborarem Novos Leccionários (DMC 43); a faculdade de modificar as orações do Missal de modo a torná-las mais acessíveis e compreensíveis às crianças.
O título escolhido para o Directório é também significativo: Directório para a Missa COM crianças; não PARA crianças (como se elas fossem meros espectadores, sem participação activa); não DE crianças(porque a Missa é sempre a missa, não é de crianças nem de adultos). Missa COM crianças expressa uma concepção fundamental: a Missa celebra-se com as crianças e as crianças também celebram (DMC 28), também são Povo de Deus convocado para celebrar.

O DEVER DA IGREJA

Cuidar das crianças baptizadas (as que ainda não fizeram a Primeira Comunhão e as que já a celebraram) é um dever da comunidade cristã. Esta tarefa cabe em primeiro lugar aos pais (DMC 10). Todavia, como reconhece o Directório Geral da Catequese, no nº 5, “as condições da vida actual em que crescem as crianças são pouco favoráveis ao seu progresso espiritual”. Por isso, a comunidade cristã aparece como protagonista da responsabilidade de educar na fé. Assim, o Directório para a Missa com Crianças reconhece que o culto cristão, e designadamente a Eucaristia como seu centro, é o melhor ambiente para fazer experimentar à criança a salvação de Deus que chegou em Cristo e que celebramos em comunidade.
A dificuldade reside no facto de que as celebrações cristãs estão pensadas para adultos; a sua estrutura, os seus sinais, a linguagem dos textos, etc., não são fáceis de compreender pelas crianças e por conseguinte não exercem sobre elas a força pedagógica que lhes são próprias. No entanto, isto não pode servir de desculpa, porque como se refere no DMC 2, a psicologia moderna sustenta que não é a inteligência a chave primordial da aproximação às coisas e aos valores. A experiência religiosa é marcante na infância. A teologia á para os adultos, mas a fé é para todos e também para as crianças (Cf. DGC, nº 78).

CELEBRAÇÃO E VIDA 

Um dos maiores defeitos da atenção à liturgia é separá-la do resto dos aspectos da vida cristã. O Directório (N.º 8) fala de educação litúrgica das crianças em conexão com a “vida plenamente cristã”; com o Baptismo (raiz de toda a vida de fé e de todos os dons de graça que um cristão recebe); com o amor de comunhão com Cristo e com os irmãos (de que a Eucaristia é sinal e dádiva); com a educação geral, humana e cristã.
São inúmeros os valores humanos subjacentes à celebração eucarística e que importa valorizar, antropológica, pedagógica e liturgicamente: o saber fazer (celebrar) em comum com outros; o facto da saudação; a capacidade de escutar; a atitude de dar e receber o perdão; a atitude de expressar o agradecimento; a linguagem dos símbolos; o comer fraternalmente com os outros; a experiência duma celebração festiva; (Cf. DGC, nº 25). Obviamente que a Eucaristia é mais do que isto, é a Celebração do Mistério de Cristo. Mas a linguagem com que as crianças a hão de celebrar plenamente está sugerida nos valores humanos indicados.

CATEQUESE SOBRE A EUCARISTIA 

Parece óbvia a necessidade de catequese especial sobre a Eucaristia, apesar do reconhecimento de que a própria celebração tem uma força didáctica (celebrando — bem — vamos entrando pouco a pouco na sua dinâmica). Esta catequese: a) não pode ser isolada ou ocasional (por exemplo: só para preparar a primeira comunhão; b) deve iniciar (não só e simplesmente explicar) à Eucaristia pela descoberta do significado da Missa através dos principais ritos e orações; c) não pode ser separada da iniciação eclesial (há que iniciar à descoberta do significado... da participação na vida da Igreja); d) deve incidir particularmente na Oração Eucarística; e) deve preparar para a participação na Comunhão Eucarística e subsequente celebração do Sacramento da Reconciliação.
O Directório fala ainda de Celebrações monográficas, que serão celebrações mais informais prevalentemente pedadógico-formativas sobre as atitudes básicas a desenvolver na Eucaristia (o sentido da saudação, o silêncio, o louvor comum, a escuta da Palavra de Deus).

MISSAS PAROQUIAIS COM CRIANÇAS 

O Directório aborda as duas situações mais comuns em que participam as crianças na Missa.
A primeira são as missas com adultos em que participam também as crianças. Esta categoria inscreve-se dentro daquilo que podemos designar de Missas Paroquiais. Nestas há, segundo o Directório, uma dupla influência benéfica: os adultos, que com a sua participação activa são um exemplo vivo para as crianças; as crianças, que com a sua presença activa, são um motivo de alegria e estimulo para os adultos. A situação ideal é a de uma Eucaristia em que participa a família toda.
Para que estas Missas paroquiais sejam de verdade educativas para a fé das crianças, o Directório sugere duas aportações: 1) que se lhes preste especial atenção nas monições e homilia e até em alguns serviços; 2) que a primeira parte da celebração — a Mesa da Palavra — possa ser em lugar à parte, com incorporação na segunda parte, a partir do ofertório (sem obscurecer a unidade de todas as partes da Missa). Esta aportação requer evidentemente mais trabalho e cuidado e a presença de catequistas responsáveis. Não são momentos para “entreter” mas para “celebrar”.
Pode haver Missas Paroquias mais adaptadas a crianças. São aquelas em que toda a comunidade sabe que é particularmente preparada e dirigida às crianças.

MISSAS COM CRIANÇAS

A segunda é a Missa com Crianças em que participam somente alguns adultos. É especialmente sobre estas celebrações que se debruça o Directório. E a primeira afirmação fundamental é a de que a Missa com crianças não é a situação ideal (é útil, necessária, mas por pedagogia e provisoriamente). O objectivo é a iniciação à Eucaristia sem mais, a Eucaristia da comunidade cristã, em que são também acolhidas e atendidas as crianças. É bom que desde o princípio as crianças saibam e sintam que a Eucaristia é “coisa de adultos”, que não se identifica com a sua idade infantil ou com o período escolar e catequético, mas que é a celebração central de todos os cristãos. Daqui nasce o critério fundamental: a Missa com crianças não deve ser muito distinta da Missa comunitária. A Missa com crianças é caminho para a Missa da Comunidade.

Secretariado Diocesano da Educação Cristã (Porto)

Sem comentários: